quarta-feira, 23 de novembro de 2011

À menina dos olhos tristes

Desejo a você
o Verão.
De dias quentes,
de tarde alegres;
no qual irás sorrir.
Dançarás nas águas de Março,
cantarás e brincarás,
alegremente,
por entre os becos
e as praças.
Deixarás teus pés enterrarem-se na areia,
enquanto és embalada pelas ondas,
enquanto a brisa brinca em teus longos cabelos castanhos.
Voltando a ser aquela menina dos olhos de suplício
Que sempre esteve dentro de ti.

Desejo a você
a Primavera,
na qual teus olhos brilharão
ao verem a beleza do desabrochar das flores,
como as trepadeiras que subirão os muros dos becos
e as do campo que crescerão na praça.
Então deitarás na grama
E encherás tuas narinas,
Inundarás teus pulmões
Com o perfume do jardim.
Sentirás a grama fazer cócegas em teus pés descalços.

Desejo a você
o Outono,
no qual caminharás vendo as árvores perdendo as folhas.
Deixarás teu nome numa delas
e então correrás para chutar as que já se esparramam pelo chão.
Começarás a desacelerar.

Desejo a você
o Inverno,
no qual descansarás.
Passarás pelos becos
Sentarás na praça...
Não verás as flores
Nem a praia.
Irás admirar as árvores nuas
e soltar o ar; podendo vê-lo sair
gelado de dentro de ti.
Neste momento, lembrarás de mim.
Lembrarás que estive contigo...
...Até quando não podias ver-me.
Lembrarás que estarei contigo...
...Até quando não puderes ver-me.
No verão serei felicidade
Enquanto correres pelos becos,
ouvirás minha risada.
Voarei alto no balanço da praça
e te desafiarei a saltar o mais alto que puderes comigo.
Dar-te-ei minha mão na praia
a cada pulo que daremos fazendo pedidos às ondas.

Na primavera serei contentamento
Deitarei contigo no jardim
Perseguirei, com você, as borboletas que bailam
e pintam o azul do Céu.
E ouviremos o canto dos pássaros.

No outono serei serenidade
Sentar-me-ei ao teu lado num banco
E lembrarei, contigo, das últimas estações:
o ar seco daqueles dias de verão e o colorido daquelas tarde de primavera.

Quando eu me chamar saudade
Será inverno
E então eu serei o vento
E vais ouvir-me sussurrar-lhe: “Eu estou aqui”,
quando tudo o que puderes escutar
for apenas o bater aflito
do teu Coração.

- Escafandro de Cristal

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