quarta-feira, 23 de novembro de 2011

You end where I begin

              Hoje quando chegar, bata a porta e isole qualquer perigo. Os problemas baterão à porta e gritarão para que abramos, mas sequer pensaremos em nos mover para atendê-los. Jogue a mala em qualquer canto da sala. Tire os tênis e não se importe com onde eles ficarão. Puxe a camisa e ela ficará ao chão. Abra o botão e o zíper da calça jeans e caminhe na minha direção.
Estarei em pé, encostada na parede. Descalça, vestindo nada além de uma peça íntima e seu velho trapo com a bandeira da Inglaterra, o qual você insiste em chamar de camisa.
Apenas levantarei os olhos para ti. Quando o fizer, meu amor, sem demora, passe a mão por minha cintura e com a outra, agarre minha nuca. Beija-me até que eu esteja quase a ponto de perder os sentidos.
Se é somente um velho trapo, quando me jogar contra a parede do quarto e me imprensar com tua estrutura  - e não se importe com se eu gritar, porque é isso mesmo o que eu quero sentir – rasgue a camisa enfiando os dedos nos pequenos buracos; transformando-os em rombos. Até que os centímetros e centímetros sejam reduzidos à retalhos.
Retalhos... Os meus retalhos serão reunidos assim que usar a mão com toda a sua força para me apertar. Não desgrude sua boca da minha.
Aperte com mais força!
Vou subir a primeira perna e prendê-la na sua. Agora eu sua força em minha coxa, enquanto passa seus lábios em meu pescoço. Sinta meu coração acelerar de modo que faça parecer que irá parar brusca e repentinamente. Ouça-me respirar freneticamente em seu ouvido passe por minhas orelhas e morda-as maliciosamente, então minha boca esperará que faça o mesmo gesto com ela. Deslize as mãos como quem joga com minhas partes. Até as mais íntimas.
Vou laçar sua cintura com minhas pernas, mas antes descerei as mãos calma e sugestivamente por suas costas até chegar ao ponto e tirar seu jeans.
Se eu puxar seu cabelo, duplique a força nos meus.
Leve-me para a cama. Tire o pouco que resta. As poucas peças de roupa em nós dois. O oxigênio escasso. O pouco que me lembro sobre mim.
Está começando... Estou esquecendo como se pensa, como se fala, como se respira. Vou perder o ar.
Não pare. Estou esquecendo meu nome. Continue. Estou esquecendo a dor, a sua ausência. Mais força. Vou esquecer os gritos e as lágrimas. Continue. Há um sorriso diabólico, de quem quer muito mais essa noite e todas as outras... se formando no canto de minha boca. Vou mostrar os dentes e gritar seu nome. Vou morder seus músculos e você cravará seus dentes em mim. Para ficar.
Mais força. Use os braços e as pernas em mais um jogo de “pega-pega” e me prende de forma eu não mais possa me soltar. Vai em frente. Use a boca para me fazer esquecer como ouvir. Os sons serão ruídos surdos em meus ouvidos. Onde foram parar as buzinas dos carros lá fora? Soltei o ar.
Ainda não é hora de parar.
Carregue-me para o sofá. Diminua o ritmo. Deixe meus dedos apertarem o alto do encosto e deixe meus olhos se perderem por instante nos arranha-céus lá fora. Se eu jogar o cabelo para trás, segure-o e encoste seu rosto ao lado do meu e respire irregularmente comigo.
Acelere. Não se importe em me deitar sobre os casos de vidro do que era a mesa de centro. Lance-me sobre a tevê e a mesa da sala de jantar. Acelere. O branco da luz não é capaz de me cegar antes que eu veja que perdi mais um de meus sentidos: a visão.
Acelere. Deixe jorrar água para todos os lados da cozinha. Use sua trêmula e firme para me secar.
Mais rápido. Não deixe que eu me distraia. Bata-me contra a parede para eu me lembrar de como se faz.
Diminua, meu amor, estamos voltando ao ponto de partida. Nossa cama é macia e nossos lençóis tem o cheiro de seu perfume barato. Perfume único...
Acelere, acelere, acelere... Mais rápido, mais forte... Para que me esquecer de que ele se formou a partir da fusão de todos os perfumes de todas as mulheres, os quais senti em sua roupa. Nas inúmeras noites em que você procurou prazer em corpos alheios e não no meu.
Faça amor comigo. Aqui e ali. Toque-me cá e lá. Estou me lembrando do seu sorriso matinal. De andarmos de dedos dados, equilibrando-nos sobre os trilhos do trem. De você pintando minhas unhas de vermelho, enquanto tomo banho de espuma em nossa banheira. De como você tornava cada beijo em primeiro.
Se pedi que me batesse, me puxasse, me jogasse para os lados, me virasse do avesso foi para mostrar e lembrar a mim mesma que aquele corpo imóvel e nu no chão gelado quando foi embora ainda estava vivo e ainda era capaz de sentir. Mesmo que fosse um vício muito pior do que álcool e cigarro; você. Queria que a dor física anestesiasse a dor dos rasgos feitos à unha em minha alma.
Estou no auge.
Pare. Largue-me. Solte seu corpo em cima do meu e fique. Quero sentir a dormência de meus pés, enquanto nossos corpos esfriam. Quero lembrar o meu nome.
Os carros circulam lá embaixo. Quero sentir o ar inundar meus pulmões de vida. As manchas na visão estão desaparecendo e eu atento para os detalhes dos cômodos. São o retrato de como andou a minha vida nos últimos dias... O caos...
Levante-se. Minha vez de lhe causar espanto. Vou jogá-lo contra a janela. Estilhaçar o vidro segurando seus braços como quem o algema. Vou morder seus lábios como quem rasga um pedaço de carne para saboreá-lo. Minhas unhas podem arrancar pedaços seus, enquanto eu desço. E quando chegar ao membro... Cate suas tralhas e abra a porta para os seus problemas. Siga de peito estufado e queixo erguido – pois eles virão armados até os dentes e usarão outras armas e agressões além de socos e pontapés –, como faz um galo de briga. Como você costumava fazer em nossas brigas. Era o Todo Poderoso.
Olhe para um lado, olhe para o outro. Experimente olhar para trás. Não me viu? Estou olhando para frente. Sente seu espaço diminuindo? Sinta-o ser varrido pelo meu, que tende somente a aumentar. Um espaço no qual você não tem mais lugar.


- Escafandro de Cristal

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