Eu
nunca fui boa com rimas
Com
rimas da vida
Rimas
dos caminhos tortuosos
Talvez
por nunca conseguir entender os paradoxos do mundo
Ou
as antíteses do amor
Talvez
por nunca conseguir contar as sílabas gramaticais
Ou
gostar de contar as sílabas poéticas de uma briga
Eu
nunca fui boa com rimas
Talvez
por nunca conseguir entender
Os
movimentos peculiares da sinestesia de uma lágrima
Talvez
por nunca conseguir entender
O
vaivém das silpeses de pernas que passam
Talvez
por nunca gostar de ouvir as redundâncias da vida
Ou
o pleonasmo vicioso do silêncio
Eu
nunca fui boa com rimas
Dos
paradoxos dos venenos
Venenos
em escrita minha
Venenos viciantes que fazem bem
A cada linha que jogo sentimentos
meus
Linhas fundas de peso salgado
Tão salgado quanto mar de
confusão
Tal que reflete lua da solidão
Eu
nunca fui boa com rimas
- Escafandro de Cristal

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